Quando adquirimos um resfriado de um parente ou amigo, não temos como provar cientificamente que a doença foi transmitidas por eles, pois o vírus responsável pelo resfriado é adquirido pelo ar em partículas de aerossol. Mas quando a é uma doença de transmissão interpessoal, como é o caso das DSTs – Doenças Sexualmente transmissíveis?
Martin et al. (2007) relataram um caso em que utilizaram técnicas de biologia molecular para identificação da bactéria Neisseria gonorrhoeae como evidencia de crime de abuso sexual contra uma criança no Reino Unido, ligando a bactéria encontrada nas roupas intimas do acusado ao material biológico coletado da vitima.
A bactéria Neisseria gonorrhoeae é o principal agente etiológico da gonorréia, patologia ocasionada exclusivamente por contato sexual. Sua identificação em laboratórios para fins clínicos é comum, nunca foi utilizado para fins legais (ISON, 2006).
As N.gonorrhoeae são diplococos (cocos aos pares) Gram negativas e são isoladas através de meio de cultura especifico Thayer Martin encubado em estufa bacteriológica à 37ºC.
ISON, 2006 et al utilizaram as técnicas de cultivo para N.gonorrhoeae para comparar a cepa bacteriana com a cepa encontrada na criança, vitima do abuso sexual.
Os pesquisadores utilizaram o meio de cultura GC (OXOID) suplementado com Vitox® à 1% e encubado em estufa bacteriológica à 36ºC em ambiente com 5% de dióxido de carbono, além de testes bioquímicos confirmatórios da oxidase e outro teste imunológico.
Utilizaram técnica de extração de DNA da cepa coletada para sua amplificação pela técnica de PCR (Ração de Polimerase em Cadeia), utilizando dois marcadores genéticos ompIII e cppB e incluindo um cepa controle positiva e negativa para cada PCR.
O método definitivo para a comparação das cepas da cultura coletada da vitima e a amostra pesquisada na cueca do acusado foi realizada pelo NG-MAST seqüenciador de DNA especifico para N.gonorrhoeae, onde foi utilizaram outros marcadores por e tbpB. O resultado mostrou-se positivo para o marcador tbpB, o que segundo ISON, 2006 foi suficiente para o acusado ser condenado por abuse sexual em criança e reconhecido como uma excelente ferramenta para a utilização em fins legais.
Referência:
- Gunn, Alan.
Essential forensic biology / Alan Gunn. – 2nd ed. 2009
- Ison, C. et al. Non-cultural detection and molecular genotyping
of Neisseria gonorrhoeae from a piece of clothing - ournal of Medical Microbiology (2007), 56, 487–490
terça-feira, 15 de junho de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
IDENTIFICAÇÃO HUMANA EM CASO FORENSE POR MEIO DA ANÁLISE DE MICROBIOTA CUTÂNEA
Autores: Noah Fierer, ,Christian L. Lauber, ,Nick Zhou, Daniel McDonald, Elizabeth K. Costello e Rob Knight
PNAS | April6,2010 | vol.107 | no.14 | 6477–6481
Colaboração do resumo tradusido por: Eduardo Rodrigues Ms. Do Departamento de Genética e Evolução da Universidade Federal de São Carlos UFSCA.
A superfície da pele humana abriga uma ampla gama de bactérias e que podem ser transferidas para outras superfícies uma vez que estas sejam tocadas, além disso, tal comunidade bacteriana pode sobreviver por um longo período de tempo sobre diversas superfícies, isto porque muitas sobrevivem a temperaturas e pressões elevadas, pH extremos, incidência de radiação ultravioleta e outros estresses ambientais.
Estudos recentes tem demonstrado que há um grau de compartilhamento de microbiota pouco considerável entre dois indivíduos (Fierer et al., 2008), e um nível de diferenciação individual é observado em outros pontos da pele humana. (Grice et al., 2009; Costello et al., 2009). Além do mais, as comunidades bacterianas são relativamente estáveis ao longo do tempo, por exemplo: algumas horas depois de lavar as mãos é possível recuperar a microbiota associada (Fierer et al., 2008), e em média, a variação interpessoal da microbiota supera a variação intraindividual.
Considerando que os indivíduos podem abrigar uma microbiota associada a pele única, temporalmente estável e transferível, os autores sugerem que seja possível, usando as bactérias, identificar um indivíduo que tenha tocado algum objeto, como por exemplo, um teclado ou “mouse” de computador.
Assim sendo, para demonstrar a aplicabilidade da hipótese dos autores, algumas premissas devem ser seguidas: (i) O DNA bacteriano oriundo de uma superfície tocada por uma pessoa deve permitir uma caracterização e comparação adequada da microbiota; (ii) as comunidades bacterianas devem se manter estáveis nas superfícies por dias ou até semanas; e (iii) as superfícies que forem tocadas podem ser efetivamente associadas a indivíduos por meio da avaliação do grau de similaridade entre a comunidade bacteriana sobre o objeto e do indivíduo que a tocou.
Dessa forma, os autores executaram três estudos correlacionados que combinam técnicas recentes na análise filogenética de comunidades (Lozupone & Knight, 2005) e metodologia de pirosequenciamento (Hamady et al., 2008). Primeiro foi comparado a comunidade bacteriana encontrada em teclados e mouse de computador indivíduos e nos dedos dos proprietários destes. Segundo, foi a similaridade das comunidades sobre objetos, estocadas a –20ºC (método padrão de armazenamento de amostras antes da extração de DNA) em relação aos objetos sob temperatura ambiente por 14 dias. Finalmente, os objetos foram associados aos indivíduos pela comparação da comunidade bacteriana sobre os teclados e mouse de computador contra um banco de dados contendo informações sobre a microbiota associada à pele para mais de 250 indivíduos, incluindo os proprietários.
Os autores, para avaliarem os critérios i e iii, recolheram amostras de três computadores e compararam as comunidades bacterianas sobre as pontas dos dedos dos proprietários. Outros computadores públicos e pessoais foram amostrados de modo a avaliar o grau de correspondência entre as comunidades bacterianas dos dedos dos proprietários em relação a computadores nunca tocados por eles. Após as coletas, o DNA bacteriano foi extraído de “swabs”, e a composição bacteriana foi determinada pela abundância de seqüências de nucleotídeos referentes ao gene 16S (localizado no genoma mitocondrial), sendo obtidos 1400 sequências distintas por amostra. Os autores puderam constatar que a comunidade bacteriana nas pontas dos dedos dos proprietários dos computadores e de seus respectivos computadores eram muito similares entre si do que em comparação aos de outros indivíduos. Estes resultados demonstram que o DNA bacteriano pode ser recuperado de superfícies relativamente pequenas, que a composição das comunidades associadas aos computadores são distintas entre os três teclados, e que os indivíduos transferiram uma composição única sobre o seus teclados.
Outras amostras foram retiradas do teclados dos computadores, com o auxílio de um “swab”, a fim demonstrar a estabilidade temporal das comunidades bacterianas associadas a pele sobre outras superfícies. Desta forma, um estudo em pequena escala foi conduzido a fim de avaliar se as comunidades bacterianas sofrem alterações na composição após exposição a condições ambientais típicas. Igualmente, amostras da superfície da pele de indivíduos foram retiradas e armazenadas a –20ºC e outras armazenadas em temperatura ambiente (≈20°C) por cerca de 15 dias. Os resultados mostraram que as condições ambientais típicas afetaram a composição de maneira não considerável ou a capacidade de resolver diferenças entre a composição bacteriana sobre a pele de dois indivíduos, em até duas semanas.
Estes resultados demonstraram um grande potencial na aplicação na identificação de indivíduos em casos forense, dando condições de associar a bactéria em um objeto a um possível suspeito que tenha contato com aquele objeto e mantendo as mesmas características genotípicas da bactéria da flora que compõe a mão do mesmo individuo.
Os resultados indicaram que a metodologia apresentada possui uma aplicação potencial nas ciências forenses, de modo a possibilitar conexão entre um objeto e seu usuário. Portanto, outro experimento mais objetivo foi planejado, de maneira a determinar a eficácia da metodologia para identificação forense. Os autores objetivavam verificar se a composição bacteriana sobre um objeto pessoal eram mais similares a bactérias encontradas sobre a pele do proprietário do que em comparação com outros indivíduos da população, ou seja, uma análise similar ao cálculo de Probabilidade de Coincidência ao Acaso (RMP, do inglês Random Matching Probability), executada em laudo genéticos. Assim, foram amostradas bactérias de nove “mouses” computadores que não tinham sido tocados por mais do que 12 mãos a partir da mão da mão proprietário. Em todos os nove casos, a comunidade bacteriana sobre cada “mouse” foi significativamente mais similar a comunidade presente na mão do proprietário do que em relação as outras mãos presentes no banco de dados, indiicando o potencial da técnica para identificação humana.
No entanto, como em outras técnicas com aplicações forenses, o estudo requer testes mais consideráveis e refinamentos a fim de testar a precisão da técnica em comparação com outras técnicas padrões já validadas. Os autores ainda citam que será importante avaliar como a precisão da técnica pode ser aprimorada pela compilação de um amplo banco de dados de comunidades bacterianas associadas a pele, obtendo mais seqüências por amostra, realizando coletas múltiplas por objetos ou mãos, desenvolvendo novos métodos de análise de similaridade das composições bacterianas, entre outras análises. Além de ser testada a funcionalidade da metodologia em superfícies de materiais diferentes, objetos pouco tocados freqüentemente, ou objetos que tenham estado em contato com múltiplos locais do corpo de uma dada pessoa.
Referências:
Fierer N, Hamady M, Lauber C L, Knight R (2008) The influence of sex, handedness, and washing on the diversity of hand surface bacteria. Proc Natl Acad Sci USA 105: 17994–17999.
Grice E A, et al. NISC Comparative Sequencing Program (2009) Topographical and temporal diversity of the human skin microbiome. Science 324:1190–1192.
Costello E K, et al. (2009) Bacterial community variation in human body habitats across Space and time. Science 326:1694–1697.
Lozupone C, Knight R (2005) UniFrac: A new phylogenetic method for comparing Microbial communities. Appl Environ Microbiol 71:8228–8235.
Hamady M, Walker J, Harris J, Gold N, Knight R (2008) Error-correcting barcoded Primers allow hundreds of samples to be pyrosequenced in multiplex. Nat Methods 5: 235–237.
PNAS | April6,2010 | vol.107 | no.14 | 6477–6481
Colaboração do resumo tradusido por: Eduardo Rodrigues Ms. Do Departamento de Genética e Evolução da Universidade Federal de São Carlos UFSCA.
A superfície da pele humana abriga uma ampla gama de bactérias e que podem ser transferidas para outras superfícies uma vez que estas sejam tocadas, além disso, tal comunidade bacteriana pode sobreviver por um longo período de tempo sobre diversas superfícies, isto porque muitas sobrevivem a temperaturas e pressões elevadas, pH extremos, incidência de radiação ultravioleta e outros estresses ambientais.
Estudos recentes tem demonstrado que há um grau de compartilhamento de microbiota pouco considerável entre dois indivíduos (Fierer et al., 2008), e um nível de diferenciação individual é observado em outros pontos da pele humana. (Grice et al., 2009; Costello et al., 2009). Além do mais, as comunidades bacterianas são relativamente estáveis ao longo do tempo, por exemplo: algumas horas depois de lavar as mãos é possível recuperar a microbiota associada (Fierer et al., 2008), e em média, a variação interpessoal da microbiota supera a variação intraindividual.
Considerando que os indivíduos podem abrigar uma microbiota associada a pele única, temporalmente estável e transferível, os autores sugerem que seja possível, usando as bactérias, identificar um indivíduo que tenha tocado algum objeto, como por exemplo, um teclado ou “mouse” de computador.
Assim sendo, para demonstrar a aplicabilidade da hipótese dos autores, algumas premissas devem ser seguidas: (i) O DNA bacteriano oriundo de uma superfície tocada por uma pessoa deve permitir uma caracterização e comparação adequada da microbiota; (ii) as comunidades bacterianas devem se manter estáveis nas superfícies por dias ou até semanas; e (iii) as superfícies que forem tocadas podem ser efetivamente associadas a indivíduos por meio da avaliação do grau de similaridade entre a comunidade bacteriana sobre o objeto e do indivíduo que a tocou.
Dessa forma, os autores executaram três estudos correlacionados que combinam técnicas recentes na análise filogenética de comunidades (Lozupone & Knight, 2005) e metodologia de pirosequenciamento (Hamady et al., 2008). Primeiro foi comparado a comunidade bacteriana encontrada em teclados e mouse de computador indivíduos e nos dedos dos proprietários destes. Segundo, foi a similaridade das comunidades sobre objetos, estocadas a –20ºC (método padrão de armazenamento de amostras antes da extração de DNA) em relação aos objetos sob temperatura ambiente por 14 dias. Finalmente, os objetos foram associados aos indivíduos pela comparação da comunidade bacteriana sobre os teclados e mouse de computador contra um banco de dados contendo informações sobre a microbiota associada à pele para mais de 250 indivíduos, incluindo os proprietários.
Os autores, para avaliarem os critérios i e iii, recolheram amostras de três computadores e compararam as comunidades bacterianas sobre as pontas dos dedos dos proprietários. Outros computadores públicos e pessoais foram amostrados de modo a avaliar o grau de correspondência entre as comunidades bacterianas dos dedos dos proprietários em relação a computadores nunca tocados por eles. Após as coletas, o DNA bacteriano foi extraído de “swabs”, e a composição bacteriana foi determinada pela abundância de seqüências de nucleotídeos referentes ao gene 16S (localizado no genoma mitocondrial), sendo obtidos 1400 sequências distintas por amostra. Os autores puderam constatar que a comunidade bacteriana nas pontas dos dedos dos proprietários dos computadores e de seus respectivos computadores eram muito similares entre si do que em comparação aos de outros indivíduos. Estes resultados demonstram que o DNA bacteriano pode ser recuperado de superfícies relativamente pequenas, que a composição das comunidades associadas aos computadores são distintas entre os três teclados, e que os indivíduos transferiram uma composição única sobre o seus teclados.
Outras amostras foram retiradas do teclados dos computadores, com o auxílio de um “swab”, a fim demonstrar a estabilidade temporal das comunidades bacterianas associadas a pele sobre outras superfícies. Desta forma, um estudo em pequena escala foi conduzido a fim de avaliar se as comunidades bacterianas sofrem alterações na composição após exposição a condições ambientais típicas. Igualmente, amostras da superfície da pele de indivíduos foram retiradas e armazenadas a –20ºC e outras armazenadas em temperatura ambiente (≈20°C) por cerca de 15 dias. Os resultados mostraram que as condições ambientais típicas afetaram a composição de maneira não considerável ou a capacidade de resolver diferenças entre a composição bacteriana sobre a pele de dois indivíduos, em até duas semanas.
Estes resultados demonstraram um grande potencial na aplicação na identificação de indivíduos em casos forense, dando condições de associar a bactéria em um objeto a um possível suspeito que tenha contato com aquele objeto e mantendo as mesmas características genotípicas da bactéria da flora que compõe a mão do mesmo individuo.
Os resultados indicaram que a metodologia apresentada possui uma aplicação potencial nas ciências forenses, de modo a possibilitar conexão entre um objeto e seu usuário. Portanto, outro experimento mais objetivo foi planejado, de maneira a determinar a eficácia da metodologia para identificação forense. Os autores objetivavam verificar se a composição bacteriana sobre um objeto pessoal eram mais similares a bactérias encontradas sobre a pele do proprietário do que em comparação com outros indivíduos da população, ou seja, uma análise similar ao cálculo de Probabilidade de Coincidência ao Acaso (RMP, do inglês Random Matching Probability), executada em laudo genéticos. Assim, foram amostradas bactérias de nove “mouses” computadores que não tinham sido tocados por mais do que 12 mãos a partir da mão da mão proprietário. Em todos os nove casos, a comunidade bacteriana sobre cada “mouse” foi significativamente mais similar a comunidade presente na mão do proprietário do que em relação as outras mãos presentes no banco de dados, indiicando o potencial da técnica para identificação humana.
No entanto, como em outras técnicas com aplicações forenses, o estudo requer testes mais consideráveis e refinamentos a fim de testar a precisão da técnica em comparação com outras técnicas padrões já validadas. Os autores ainda citam que será importante avaliar como a precisão da técnica pode ser aprimorada pela compilação de um amplo banco de dados de comunidades bacterianas associadas a pele, obtendo mais seqüências por amostra, realizando coletas múltiplas por objetos ou mãos, desenvolvendo novos métodos de análise de similaridade das composições bacterianas, entre outras análises. Além de ser testada a funcionalidade da metodologia em superfícies de materiais diferentes, objetos pouco tocados freqüentemente, ou objetos que tenham estado em contato com múltiplos locais do corpo de uma dada pessoa.
Referências:
Fierer N, Hamady M, Lauber C L, Knight R (2008) The influence of sex, handedness, and washing on the diversity of hand surface bacteria. Proc Natl Acad Sci USA 105: 17994–17999.
Grice E A, et al. NISC Comparative Sequencing Program (2009) Topographical and temporal diversity of the human skin microbiome. Science 324:1190–1192.
Costello E K, et al. (2009) Bacterial community variation in human body habitats across Space and time. Science 326:1694–1697.
Lozupone C, Knight R (2005) UniFrac: A new phylogenetic method for comparing Microbial communities. Appl Environ Microbiol 71:8228–8235.
Hamady M, Walker J, Harris J, Gold N, Knight R (2008) Error-correcting barcoded Primers allow hundreds of samples to be pyrosequenced in multiplex. Nat Methods 5: 235–237.
domingo, 25 de abril de 2010
Microbiologia Forense: Uma breve história


Fonte: http://www.microbelibrary.org/microbelibrary/files/ccImages/Articleimages/cdcphil/Yersinia%20pestis%20fig6.jpg
Foto 2: Microscopia de uma lâmina com cepa de Yersinia pestis
http://img181.imageshack.us/i/02sp6ta6.jpg/
Foto 1: Claviceps purpurea (Fungo patogênico onde se extraiam suas micotoxinas).
O uso de agentes patogênicos como arma biológica não é nenhuma novidade, pois o mesmo tem sido documentado por muitos anos.
Os antigos Romanos contaminavam os poços de água de seus inimigos com carne apodrecida, em que são ricos em bactérias patogênicas.
Durante o século 14, a cidade de Kaffe (atualmente Feodosiya Ukrânia) foi cercada e atacada por soldados Tarta da Mongólia, espalhando a “Peste negra” (Doença Bubônica – Bactéria Pasteurellas pestis (atualmente Yersinia pestis). Os soldados Tartas catapultavam os corpos dos soldados mortos por doença bubônica como arma biológica para a cidade de Kaffa, contribuindo assim com a epidemia de “Peste bubônica” na Europa na idade média.
Conquistadores espanhóis e britânicos utilizaram cobertores e roupas contaminadas com o vírus da varíola e sarampo contra os Nativos Americanos. Segundo a história essa mesma tática teria influenciado os franceses contras os índios.
Durante a segunda guerra mundial os japoneses utilizaram pulgas criadas em laboratório que se alimentavam de ratos contaminados. Os japoneses utilizaram as pulgas como armas biológicas sendo lançadas sobre a China de seus aviões.
O grupo religioso (conhecidos por fazer ataques no metrô de Tókio com gás sarim que ataca o sistema nervoso humano e mata) teria tentado espalhar material contaminado de Bacillus anthrax do alto de um prédio histórico de Tókio onde eram realizados seus cultos. O ataque não causou nenhuma doença, pois a população tinha sido vacinada. Acredita-se então que o mesmo grupo tenha usado a toxina botulínica e cogumelo venenoso, porem seus ataques não obteve sucesso.
Em 1984 seguidores do grupo religioso Baghwan Sri Rajneesh tentou influenciar nos resultados das eleições locais em Dallas, Oregon USA. O grupo teria contaminado a salda de 10 restaurantes com a bactéria Salmonella typhimurium, onde 751 pessoas desenvolveram intoxicação alimentar.
Em 1996 no Texas, Dallas – USA foi documentado a ocorrência de 20 técnicos de laboratório que foram infectados intencionalmente por Shigella dysenteriea tipo 2. Os técnicos apresentaram sintomas de diarréia. Foi feito uma investigação para fazer a triagem do microorganismo que causou a contaminação. Segundo as investigações, os técnicos desenvolveram os sintomas após consumirem bolos do tipo Muffin (semelhante ao Ana Maria aqui no Brasil) no café da manhã do laboratório. Foram coletadas amostras biológicas de fezes para análise microbiológica para serem comparadas com os resultados das analises dos “bolinhos” Muffin contaminados. O resultado foi confirmado por meio de analise microbiológico e técnica de PCR (reação em cadeia de polimerase) comparando o DNA das bactérias analisada. A investigação encontrou uma técnica do próprio laboratório como a responsável do crime, pois a mesma já havia cometido mais 5 crimes e falsificação de documentos do laboratório.
Historicamente ocorriam muitos ataques contra animais de criação como cavalos. Por exemplo, na primeira guerra mundial, a bactéria Burkholderia mallei foi utilizadas por soldados alemães para infectar cavalos e mulas dos seus inimigos. Na verdade foi estabelecido um laboratório em Chevy Chase, Maryland em 1916 para cultivo de Burkholderia mallei e outros microorganismos vivos para infectar animais do exercito americano. Os russos utilizaram o mesmo microorganismo nos anos 80 na guerra do Afeganistão.
As bactérias e suas toxinas não eram as únicas a serem usadas como arma biológica. Houve também a utilização de micotoxina (toxina dos fungos) para causar graves doenças e até a morte. No século VI depois de Cristo, os Sírios tomaram o conhecimento do potencial das micotoxinas como arma biológica, onde eles envenenavam seus inimigos através de água contaminada por Claviceps purpúrea, fungo parasita que muito rico em alcalóides, substância altamente tóxica ao homem. Logo após a Segunda Guerra mundial, soldados Russos utilizaram a micotoxina de um fungo do gênero Fusarium spp. em farinha de trigo contaminadas em que eram feito os pães e distribuídos para a população se alimentarem, mas logo sofreram de graves doenças.
As micotoxinas foram espalhadas em Laos (pais asiático) por pulverização em 1975 – 1981, no Camboja em 1979 – 1981 e no Afeganistão de 1979 a 1981. Mais de 10.000 pessoas entre civis e soldados morreram envenenadas por micotoxinas. O Iraque teria desenvolvido um programa para a utilização de Aflatoxina como arma biológica.
sábado, 24 de abril de 2010
Microbiologia Forense: conceitos
A microbiologia forense é a aplicação dos estudos de microorganismos em investigações de provas legais em área de suspeita de crime (SAFERSTEIN, 1995).
Microbiologia forense é um campo relativamente novo que pode ajudar na resolução dos casos, tais como:
• Ataque de Bioterrorismo: É a utilização de microorganismos, tais como, bactérias ou vírus como arma biológica. Um exemplo foi o uso do Bacillus anthrax como arma biológica utilizadas por terroristas (BREEZE, 2005).
• Negligência médica: Muitos casos foram denunciados por jornais e noticiários de TV contaminações por “super bactérias” em enfermarias de hospitais ocasionando diversos óbitos de pacientes. Ocorre quando médicos e/ou enfermeiros manipulam pacientes com imunidade baixa, infectando-os por bactérias oportunistas, além de materiais contaminados para tratamento dos pacientes.
• Surtos de doenças por alimentares contaminados: A falha no processo de descontaminação e conservação dos alimentos pode ocasionar o crescimento de microrganismos patogenos, como por exemplo, Salmonella typhi, Yersinia enterocolitica, Shigella desinteries, dentre outras bactérias, ocorrendo o crime de atentado à saúde pública (SALYERS, 2003).
• Crimes sexuais: É um tipo de crime em que a vitima é acometida de violência, onde a posse sexual, em que o agressor poderá infectá-la por bactérias e vírus sexualmente transmissíveis como a sífilis, AIDS e gonorréia.
Fontes Bibliográficas:
- BREEZE, R.G., BUDOWLE, B., WILSON, M.R., BURANS, J.P., CHAKRABORTY, R. Microbial Forensic, 1ª Edition. New York: Academic Press, 2005 Cap.1 p. 1-17.
- SAFARSTAIN, R. (Edit) Criminalistics – An introduction to Forensic Science, fifth edition. New Jersey: Pratice Hall Education, 1995.
- SALYER, A. A. Microbes in Court: The emerging Field of microbial forensic. (2003) Disponível na URL:
Microbiologia forense é um campo relativamente novo que pode ajudar na resolução dos casos, tais como:
• Ataque de Bioterrorismo: É a utilização de microorganismos, tais como, bactérias ou vírus como arma biológica. Um exemplo foi o uso do Bacillus anthrax como arma biológica utilizadas por terroristas (BREEZE, 2005).
• Negligência médica: Muitos casos foram denunciados por jornais e noticiários de TV contaminações por “super bactérias” em enfermarias de hospitais ocasionando diversos óbitos de pacientes. Ocorre quando médicos e/ou enfermeiros manipulam pacientes com imunidade baixa, infectando-os por bactérias oportunistas, além de materiais contaminados para tratamento dos pacientes.
• Surtos de doenças por alimentares contaminados: A falha no processo de descontaminação e conservação dos alimentos pode ocasionar o crescimento de microrganismos patogenos, como por exemplo, Salmonella typhi, Yersinia enterocolitica, Shigella desinteries, dentre outras bactérias, ocorrendo o crime de atentado à saúde pública (SALYERS, 2003).
• Crimes sexuais: É um tipo de crime em que a vitima é acometida de violência, onde a posse sexual, em que o agressor poderá infectá-la por bactérias e vírus sexualmente transmissíveis como a sífilis, AIDS e gonorréia.
Fontes Bibliográficas:
- BREEZE, R.G., BUDOWLE, B., WILSON, M.R., BURANS, J.P., CHAKRABORTY, R. Microbial Forensic, 1ª Edition. New York: Academic Press, 2005 Cap.1 p. 1-17.
- SAFARSTAIN, R. (Edit) Criminalistics – An introduction to Forensic Science, fifth edition. New Jersey: Pratice Hall Education, 1995.
- SALYER, A. A. Microbes in Court: The emerging Field of microbial forensic. (2003) Disponível na URL:
Assinar:
Postagens (Atom)